domingo, abril 18, 2004
Por influência do Félix ando sempre a fazer testes de personalidade a torto e a direito. Relativizo sempre tudo e não dou muita importância, mas acaba sempre por me ajudar a perceber-me melhor. Ao tentar conhecer-me a mim mesmo, usei o enagrama e deu isto:

Pela descrição acho que se adequa bastante à minha personalidade:
Type Five
The Investigator
The perceptive, cerebral type. Fives are alert, insightful, and curious. They are able to concentrate and focus on developing complex ideas and skills. Independent, innovative, and inventive, they can also become preoccupied with their thoughts and imaginary constructs. They become detached, yet high-strung and intense. They typically have problems with eccentricity, nihilism, and isolation. At their Best: visionary pioneers, often ahead of their time, and able to see the world in an entirely new way.
Para quem quiser fazer
Pela descrição acho que se adequa bastante à minha personalidade:
Type Five
The Investigator
The perceptive, cerebral type. Fives are alert, insightful, and curious. They are able to concentrate and focus on developing complex ideas and skills. Independent, innovative, and inventive, they can also become preoccupied with their thoughts and imaginary constructs. They become detached, yet high-strung and intense. They typically have problems with eccentricity, nihilism, and isolation. At their Best: visionary pioneers, often ahead of their time, and able to see the world in an entirely new way.
sábado, abril 17, 2004
Dois livros que fui lendo na Vimeca enquanto a camioneta não chega ao Marquês de Pombal. Às vezes em pé, outras sentado, enquanto outros lêem o jornal de negócios. Ambos os livros apresentam teorias do funcionamento do cérebro. O meu gosto por estes temas vem do meu curso no ramo de IA (inteligência artificial). É incrível o avanço que dou na leitura a caminho para o trabalho.

"Imagens da Mente" é um livro muito técnico, apresenta resultados da aplicação de várias técnicas, sendo mais explorada a PET (tomografia por emissão de positrões). A PET permitiu bastantes avanços nesta área. Vários factos intrigaram-me:
- pessoas com lesões no córtex visual primário (zona que mapeia os estímulos recebidos pelos olhos) conseguem, apesar disso, distinguir e mesmo dirigir-se a objectos com a ajuda de outras áreas do cérebro, ou seja, não são cegas.
- nós guardamos informações no cérebro acerca de o que é o estímulo e onde está o estímulo. Lesões no "quê" faz com que uma pessoa tenha dificuldade em reconhecer rostos (mesmo a da mulher ou marido) a não ser por traços distintivos (por ex, um lenço); lesões no "onde" faz com que uma pessoa se perca no caminho para a padaria ou mesmo na própria casa, apesar de conseguir descrever minuciosamente o padeiro ou os móveis.
- o efeito de Stroop, em que nomes de cores estão escritas noutra outra cor mostra que existe controlo hierárquico sobre o processamento cerebral (espero que ninguém me processe pela liberdade) para gerir duas informações contraditórias como a cor e a palavra. Não dizemos o que nos vem logo à cabeça.
- à medida que repetimos um cálculo é necessário menos esforço e atenção. Diminui o fluxo sanguíneo e o número de redes neuronais para a realizar.
- muitos sintomas de distúrbios mentais podem resultar de danos nas ligações do cérebro.
- hemisfério direito e esquerdo não são simétricos em termos de funções que executam. Alguns comportamentos são tratados por um hemisfério.
- podemos controlar o desenrolar dos nossos sonhos.

"Ao encontro de Espinosa" é um livro mais abrangente, literário e filosófico. Aborda o estado actual da neurologia e incorpora filosofia e reflexões pessoais. Além de concordar com António Damásio, eu partilho as suas ideias. O que retive do livro:
- emoção é a reacção fisica a um estímulo exterior e sentimento é a percepção interior desse estímulo. A emoção precede o sentimento por estranho que por vezes pareça.
- Espinosa foi um filósofo português brilhante que ficou um pouco esquecido injustamente e por várias circunstâncias históricas.
- a consciência não é mais do que o guardar do cérebro de um conjunto de imagens (mapeamento) do estado do corpo por reacção a uma situação. Dá-nos a noção do tempo e nós próprios e é muito útil *a sobrevivência. Quando se quebra a ligação cérebro-corpo, a consciência desaparece.
- a mente é o processo pelo qual tomamos consciência do nosso corpo.
- o estado de alegria leva a um funcionamento mais eficiente do cérebro.
O primeiro livro é um artigo grande que apresenta resultados de várias técnicas. O segundo é bastante profundo, mais completo e com referências ao primeiro. Aconselho os dois.
Acredito que há pouca gente a ficar espantada com o próprio cérebro. Sou bastante diferente das outras pessoas.
"Imagens da Mente" é um livro muito técnico, apresenta resultados da aplicação de várias técnicas, sendo mais explorada a PET (tomografia por emissão de positrões). A PET permitiu bastantes avanços nesta área. Vários factos intrigaram-me:
- pessoas com lesões no córtex visual primário (zona que mapeia os estímulos recebidos pelos olhos) conseguem, apesar disso, distinguir e mesmo dirigir-se a objectos com a ajuda de outras áreas do cérebro, ou seja, não são cegas.
- nós guardamos informações no cérebro acerca de o que é o estímulo e onde está o estímulo. Lesões no "quê" faz com que uma pessoa tenha dificuldade em reconhecer rostos (mesmo a da mulher ou marido) a não ser por traços distintivos (por ex, um lenço); lesões no "onde" faz com que uma pessoa se perca no caminho para a padaria ou mesmo na própria casa, apesar de conseguir descrever minuciosamente o padeiro ou os móveis.
- o efeito de Stroop, em que nomes de cores estão escritas noutra outra cor mostra que existe controlo hierárquico sobre o processamento cerebral (espero que ninguém me processe pela liberdade) para gerir duas informações contraditórias como a cor e a palavra. Não dizemos o que nos vem logo à cabeça.
- à medida que repetimos um cálculo é necessário menos esforço e atenção. Diminui o fluxo sanguíneo e o número de redes neuronais para a realizar.
- muitos sintomas de distúrbios mentais podem resultar de danos nas ligações do cérebro.
- hemisfério direito e esquerdo não são simétricos em termos de funções que executam. Alguns comportamentos são tratados por um hemisfério.
- podemos controlar o desenrolar dos nossos sonhos.

"Ao encontro de Espinosa" é um livro mais abrangente, literário e filosófico. Aborda o estado actual da neurologia e incorpora filosofia e reflexões pessoais. Além de concordar com António Damásio, eu partilho as suas ideias. O que retive do livro:
- emoção é a reacção fisica a um estímulo exterior e sentimento é a percepção interior desse estímulo. A emoção precede o sentimento por estranho que por vezes pareça.
- Espinosa foi um filósofo português brilhante que ficou um pouco esquecido injustamente e por várias circunstâncias históricas.
- a consciência não é mais do que o guardar do cérebro de um conjunto de imagens (mapeamento) do estado do corpo por reacção a uma situação. Dá-nos a noção do tempo e nós próprios e é muito útil *a sobrevivência. Quando se quebra a ligação cérebro-corpo, a consciência desaparece.
- a mente é o processo pelo qual tomamos consciência do nosso corpo.
- o estado de alegria leva a um funcionamento mais eficiente do cérebro.
O primeiro livro é um artigo grande que apresenta resultados de várias técnicas. O segundo é bastante profundo, mais completo e com referências ao primeiro. Aconselho os dois.
Acredito que há pouca gente a ficar espantada com o próprio cérebro. Sou bastante diferente das outras pessoas.